São muitas as vezes que me questiono – Filomena de Paula

São muitas as vezes que me questiono. Faço-o de uma maneira saudável, sem cobranças ou julgamentos. Aprendi a fazê-lo. Quando penso em queixar-me de algo ou alguém, dou um passo atrás nos meus pensamentos e percebo em consciência o que leva a querer fazê-lo. Facilmente observo e percebo que está sempre em mim a razão principal.

Quando ganho esta consciência entro num caminho profundamente transformador. Hoje, mais do que ontem, não deixo de viver as minhas emoções em pleno e reservo-me o direito de as sentir todas. Todas elas me acrescentam algo valioso, o conhecimento e reconhecimento de mim e do “outro”, por isso honro cada uma das minhas experiências.

Já há muito ultrapassei essa “crença” que apenas nos devemos permitir a sentir coisas confortáveis e que as outras não são para sentir, talvez por termos enraizado que o nosso lado sombra faz de nós “más pessoas”. Esta é, para mim, uma das crenças mais limitantes para quem reencontra o caminho da espiritualidade e na jornada que abraça. Esses conceitos e preceitos são apenas “bengalas” inventadas pelo ego, apenas isso.

O mais engrandecedor dos momentos foi quando percebi que podia e devia sentir tudo. Que libertador, que degrau poderoso, essa descoberta. Com o crescimento pessoal e a expansão de consciência vou-me permitindo ser mais rápida e consistente entre um ponto e outro, isto entre a reação e o que a motiva. Esse sim é o verdadeiro crescimento.

Acolher as “rosas” e o “pão” valorizando ambos. Reconhecer os dois lados sem dramas. Assumir a responsabilidade das nossas escolhas e da vida que temos. Apontar o dedo a alguém ou circunstância apenas nos dá uma falsa sensação de leveza e guia-nos, pela mão, ao retrocesso.

Mas gostaria de te dizer que, mesmo que tudo isto não faça para ti o menor sentido, está tudo certo, sempre está. A mim cabe-me a responsabilidade de partilhar aquilo que considero a minha verdade. Ela é apenas isso. Ela só não é absoluta, nunca será.

Filomena de Paula