A Intuição da tua Essência

– Este artigo é um trecho do livro Passo A Passo Um Olhar Sobre o Desenvolvimento Pessoal e a Espiritualidade, da autora Filomena De Paula. –

Os mais antigos chamavam-lhe “espirito santo de orelha”, há quem lhe chame “vozinha”, eu chamo-lhe “Intuição da nossa Essência” ou sabedoria da nossa Alma. Esta ancestralidade de sapiência existe muito antes de “existirmos”. 

É uma capacidade única e singular de transformação e evolução. Então porque será que a renegamos na maioria das vezes, excluímos e até a tratamos mal, julgando, não raro, que estamos a caminho da loucura, do paranormal, que somos diferentes. 

Sim. De facto todos somos diferentes, dentro de um coletivo uno. Somos a voz dentro das vozes que reflete em cada corda vocal o acorde perfeito de uma sintonia universal. 

Intuição é muitas vezes o “filho” bastardo, aquele que não é reconhecido, que não tem direito a coabitar com as mentes brilhantes que somos. Mas, é este filho, muitas vezes renegado, que nos leva ao caminho de vida, nos protege de atalhos menos consistentes. Torna-se muitas vezes invasivo, incómodo, porque, simplesmente o nosso coração não está preparado para escutar e o seu barulho ensurdece nossos ouvidos. Somos teimosos, e muitas vezes persistimos em contrariar este tão sábio “espirito santo de orelha”. 

Depois, acontecem situações que, bem lá no fundo, sabíamos que iriam surgir. Porque sacudimos a cabeça quando a intuição nos invade, quase sempre corre mal. Esta nossa intuição é o coletor entre a nossa alma e o nosso corpo. Se silenciarmos a mente, de forma apaziguadora, conseguiremos fazê-la crescer. Ela tornar-se-á a nossa mais forte aliada, nossa companheira de “armas”, nosso perfeito coletor de sabedoria divina, a nossa sabedoria. Ela sempre esteve lá. Todos temos essa essência de alma. Apenas precisamos de a reconhecer, de a aceitar e de a tornar partícula integrante da nossa existência. 

Steve Jobs disse: “A intuição é mais poderosa que o intelecto”. De facto ela não é mente, nem corpo, é um saber muito antes de se saber. Ela é a chave mestra para a nossa sabedoria interna. Ela precisa de silêncio, de quietude para que a possamos escutar. Ela é instantânea, é nosso ponto de alerta, nossa sirene interior. Quando a escutamos e seguimos, alegramos o coração e a nossa alma aplaude perante tal respeito e reverência. 

Atenção, descoberta e conhecimento. Sensações corporais que se estrangulam ou expandem quando descobrimos que existe uma voz que fala mais alto que as nossas cordas vocais. Isto só é possível quando o nosso estado de harmonia é pleno, quando a paz se instala no nosso coração, mesmo com todos os desafios. Caso contrário será apenas o ego a fazer-se ouvir. 

Estejamos atentos às vozes que nos chegam da alma. 

Não somos loucos, nem diferentes, apenas estamos no início da estrada da nossa descoberta. 

Que descoberta é essa? Que estrada é essa que todos almejamos percorrer mas que muitos demoram a descobrir? Sim, que descoberta é esta de muitos falam mas poucos assertivamente explicam? Talvez porque ela seja algo que não se explica, talvez porque cada um de nós tem suas próprias palavras para a descrever e outros há, que só a conseguem sentir. E, sim, esta é uma estrada de sentidos, onde os sinais são tão claros que na maioria das vezes nem acreditamos que existam. 

Da intuição à realização esta é a mestria maior para qualquer Ser Humano. Ah, quando a soubermos escutar….