Ignorância Espiritual – Filomena de Paula

Numa altura em que as “águas” estão agitadas, e em que todas as consciências estão a ser mexidas, urge trazer à tona assuntos, até hoje controversos, mas que preenchem as nossas vidas desde que o mundo é mundo.

Ignorância Espiritual é a capacidade que todos temos em renegar a vida, na sua mais profunda essência. Fazemo-lo sempre por medo. Medo do desconhecido, de ir além da formatação educacional, social e religiosa, que durante décadas alimentaram a humanidade. Sim, é verdade que cada um de nós tem seu tempo de aprendizagem, mas o que é facto é que esse “tempo” torna-se, a cada dia, diminuto. Já não há mais tempo de “cutucar” ou sermos “cutucados”. Há demasiado sofrimento no mundo por conta dessa passividade.

Largando os velhos conceitos e paradigmas, este é o momento de aligeirar a vida, com responsabilidade. Não fechar os olhos aos sinais que nos chegam através do corpo físico e de tudo que nos rodeia. A ignorância espiritual faz-se presente quando insistimos em resistir ao que a vida nos mostra diariamente. Sem radicalismos, é necessário olharmos para a qualidade dos nossos pensamentos, sentimentos e acções. Até onde todos eles nos levam? Se nos levam sempre aos mesmos lugares e circunstâncias, porque não dar o benefício da dúvida. 

Dar o primeiro passo rumo a um novo caminho, mesmo que desconhecido, é sempre uma boa opção. Pelo menos, dá-nos a oportunidade de conhecer outras alternativas, procurando, estudando, ouvindo, lendo, juntando as peças de um puzzle que até ao momento pode apenas ser um quebra cabeça sem sentido. Aprender com as nossas dores, acolhendo-as e respeitando-as, é um dos mais fortes pilares de sustentação de uma mudança que, queiramos ou não, acontece ao milésimo de segundo.

A passagem a uma nova era de consciência está em marcha, e temos todos a ganhar, se caminharmos em conjunto, na mesma direcção. Neste movimento de união, chegaremos todos ao nível de consciência para o qual temos vindo a ser preparados.  O salto quântico de que nos levará a respeitar o Todo. 

É preciso lembrar que este processo precisa começar, necessariamente em nós. Para isso, precisamos, mesmo com medo, dar-nos a possibilidade de abrirmos o nosso coração. Aceitar a mão do vizinho do lado, que por um motivo ou por outro, já iniciou esta jornada e que está disposto a desacelerar o seu próprio passo, para fortalecer o nosso e o dele. 

Partilha, inclusão, humildade e muita verdade, são os regentes destes novos tempos. Tudo o que estiver fora deste eixo de harmonia irá colapsar. Resignificar o passado para fortalecer o presente. Com esta dinâmica novos sentimentos irão surgir, um novo olhar irá ser lançado sobre o mundo, o nosso e dos demais.

Ignorância espiritual é renegarmos a sabedoria eterna que carregamos na alma, pensando que somos apenas Físico. O inicio de tudo é o Espírito, e o compromisso é deixar que ele nos guie pelos caminhos que necessitamos percorrer para a nossa máxima evolução. No fim, restará apenas ele, e tudo recomeça. Mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, iremos entender que nem tudo se explica pela lógica, e que há muito mais para além do mundo material que construimos. É este estado de ignorância que alimenta o Ego e promove o sofrimento. Quando quebramos este estado, através da aceitação, abrimos espaço e vontade para outras realidades.

Não resistir à entrega é, provavelmente, o primeiro sinal de que estamos a deixar o estado de ignorância espiritual e a encontrar o verdadeiro impulso para honrar o que viemos Todos aqui fazer – Evoluir. Só assim estaremos livres para a total expressão do Amor e para a expansão absoluta do Ser.

Filomena de Paula – Desenvolvimento Espiritual e Pessoal


 

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