Cuidar Para Crescer – Filomena de Paula

É preciso tratar da terra, para que ela receba novas sementes. Este é mais um dos maravilhosos ensinamentos que a natureza nos dá. Assim é connosco em todo o processo de despertar pelo autoconhecimento.

Precisamos, em primeiro lugar, aceitar que a mudança é inevitável e que a mesma tem apenas um único sentido válido; de dentro para fora. Depois precisamos tratar de nós, pela consciência de que somos um todo e não apenas um corpo físico. Aliás, esta será, indiscutivelmente, a maior e a mais importante das descobertas.

Somos antes de qualquer outra coisa um corpo espiritual que escolheu um corpo físico, para assim dar continuidade ao processo de cura, crescimento e evolução. Teremos pois, que cuidar e honrar os dois. Ao corpo físico juntam-se o corpo emocional e mental, que ditam e operam a maioria das coordenadas.

É na mente que se constrói, se destrói e se reconstrói. O emocional vai gerindo os confortos e desconfortos que muitas vezes dão sinais no nosso corpo físico. Quando nos embalamos pelo conforto, a nossa alma ganha força e toma a linha da frente das operações. Quando nos “encolhemos” no desconforto arrastando e deixando de cumprir as mais simples decisões pelo medo, ela chora, zanga-se e na maioria das vezes provoca uma revolução interior tão grande que nos obriga a colocar em marcha o que tem planeado há tanto tempo.

Isto nem sempre acontece de forma tranquila, harmoniosa e linear. É usualmente na dor que nos começamos a mexer. É aí que começamos a tratar da nossa “terra” para que ela possa receber uma nova e bela sementeira. Mas esta preparação leva tempo e está naturalmente envolta pelas mais variadas circunstâncias. Precisamos aprender a compreensão, aceitação e deixar que tudo se cumpra com sustentabilidade. Se tivermos pressa meteremos os pés pelas mãos e aceleramos um processo que precisa de solidez para ser contínuo.

Depois, à medida, que o “terreno” vai ficando limpo é o momento de colocar as primeiras sementes nos “talhões” que começam a estar preparados para o renascimento. Semear, cuidar, nutrir e ter paciência até que os frutos e flores comecem a brotar e com a toda a sua força se posicionem. Se alterarmos este processo arriscamo-nos a alterar o curso natural da vida. Contemplar, agradecer, celebrar e colher no devido tempo. Se anteciparmos este circuito corremos o risco de não conseguirmos usufruir. A terra renova-se em ciclos contínuos e passa por todas as estações do ano sem pressa. É nesta mestria que precisamos pautar a nossa existência.

Todo o processo de conhecimento pessoal promove o crescimento e a consequente evolução do ser espiritual que somos. Este é um trabalho de continuidade e sustentabilidade ancorado no amor e paciência. Tudo tem um tempo certo e todo o tempo é o certo. Crescerá o que o coração, esse terreno fértil, estiver preparado para acolher.

Filomena de Paula